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Daniel Lago

Daniel Lago

Vigo(1979). Licenciado em Ciências Políticas pela USC. Secretario de programas e estudos políticos da Executiva Nacional de Compromiso por Galicia CxG.

Presos por Espanha

Publicada: 10/01/2018

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Tempo de lectura: 5 minutos e 45 segundos.

Podiam ser uns homens qualquer chamados Xurxo ou gente oriunda da Junqueira de Espadanhero ou da de Ambia, Podia ser qualquer habitante procedente das terras da Galiza ou o autocarro do C.C.D. Cerceda. For como for estaria preso da Espanha em qualquer uma das suas formas.

Presos por Espanha na sua casa rodeada por lumes, presos os habitantes galegos na sua própria casa quando todo arde ao seu redor. Presos por Espanha, numa autoestrada de portagem. Presos por Espanha num sistema radial de comunicações por estrada. Presos por uma Espanha que a dia de hoje é a fortaleça-nação que é Madrid como capital metropolitana de todo o reino. Estamos presos de todo. Capturaram o nosso sistema financeiro, as nossas caixas e os nossos bancos e agora estamos presos por Espanha. Capturaram os nossos impostos e agora ficamos presos por Espanha. A eletricidade que produzimos é presa nesse buraco “mesetario” que absorve os recursos todos do seu arredor para o sustentamento de uma economia meramente especulativa. Capturaram a nossa autoestrada norte-sul, essa que não é radial e seguimos presos da portagem.

Presos numa cárcere de lume, presos numa cárcere de gelo. Finalmente cidadãos botados ao calabouço que é essa chamada Espanha “carpetovetónica”, onde a responsabilidade é sempre dos inimigos internos ou dos inimigos externos, que em qualquer hipótese, no caso de não existir, inventar-se-ão. A coisa é culpa dos belgas!!! o coiso é culpa da neve!! o tema foi coisa dos catalães!! o tema foi coisa dos portugueses!! e assim por diante. E assim com todo. 

Assim vivemos presos por uma Espanha que apenas subsiste como estado, desgastado por uma UE que realmente legisla e umas CCAA que realmente executam. Uma Espanha que já nem aprova pressupostos gerais do estado, se calhar, será que não existe estado. A ideia daquele ”aznarismo” de começos de século XXI de criar um estado mínimo, reduzido, miniatura, já chegou. Finalmente foi possível. Menos funcionários, como por exemplo, menos guardas de trânsito, para avisar e auxiliar eu que sei, por exemplo, do colapso de uma das vias radiais por uma grande nevada. Menos estado, também nas CCAA, que também são estado, com menos recursos para a sanidade ou a educação.

No nosso País, também temos que viver com o nosso carcereiro, o nosso próprio governo. Um governo que funciona unicamente como governador civil de um território qualquer e que tem preso num circulo de favores a uma grande parte da nossa população, nesta cárcere mental que é as mais das vezes este ”não-governo”. Este manter-nos presa dentro de um estado polícia, aquele estado “Bismarckiano”, estado mínimo como serviço de proteção física dos seus súbditos-cidadãos. 

Em breves comprovaremos o tamanho desta cárcere que é Espanha já que começam as comparecências na comissão para a reforma da constituição. Seguiremos presos da Espanha, nesta batota reformista de um coiso que é totalmente irreformável no que seria fundamentalmente mais reformável. È um pouco anedota: a parte que temos que reformar é irreformável de facto. Qualquer coisa que tenha a ver com os títulos II e o título VIII simplesmente são formalmente não reformáveis. Estamos presos por uma constituição irreformável.

E poderemos sair desta cárcere? A resposta é difícil de mais. Estamos presos, como diria aquele parte radiofónico histórico “capturado e vencido”; é assim seguimos bem de tempo depois.

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