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Daniel Lago

Daniel Lago

Nado em Vigo, no 1979. Licenciado em Ciências Políticas pela USC (1998-2003) especialidade em estudos políticos e relações internacionais. Cursou Estudos Europeus na Universidade Moderna de Porto. Empresário do sector financeiro e da gestão de riscos e a protecção financeira. Secretario de programas e estudos políticos da Executiva Nacional de Compromisso por Galiza. Membro do Conselho Nacional e Secretario Local de CxG em Vigo.

O único que há que saber para votar

Publicada: 15/06/2016

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Tempo de lectura: 4 minutos e 44 segundos.

Como não pode fazer qualquer coisa, o anuncio do governo da Espanha para indicar como votar outorga uma singeleza extraordinária, para um facto, que no fundo, requer de uma grande abstracção. O único que há que saber para votar é o lugar, a hora, levar o documento de identidade e as cores das “papeletas”.

E é este um dos problemas de uma democracia que excede em “representativa” e é tremendamente deficitária em “participativa”. Uma ampla maioria da população aceita como válida a transferência do seu poder político cara uns representantes, que na maior parte das vezes, nem conhece. O desconhecimento entre representante e representado funciona num vector que desemboca finalmente num dos fenómenos que rematamos por chamar desafeição política.

Uma desafeição, que não é exclusivamente cara a democracia parlamentar liberal, uma das partes do sistema político, é uma desafeição cara um sistema onde os representantes passam a ser produtos e os representados passam a ser votantes-consumidores. Chegamos neste ponto, à conexão ultima da democracia representativa, passamos já à democracia-televisão, achegando-nos com certo parecido, às tele-teias orwellianas que não deixam trasladar mais que uma mensagem pré-fabricada, pré-cozinhada e pré-controlada. Propostas as menos, acusações as mais. Desenho de questionável gosto e escassa qualidade marcam as mensagens políticas dos últimos tempos. Sobre isto, qualquer uma proposta que tente achegar uma relação entre representado e representante que não tenha um modelo televisivo de referencia, tem em principio, bastante a perder.

Não existe um debate sobre ideologias e sobre políticas nos médios mais “mainstream”, não existe uma profundidade sobre temas e desde a democracia-televisão desenham-se os temas de actualidade, os temas de debate e os argumentarios com os que virão a retrucar nas redes sociais; as tabernas do século XXI; uma população mantida em calma e em tranquilidade olhando sempre ao dedo, nunca olhando para a Lúa. O discurso do “achismo” venceu ao discurso das ideologias que definiam aos diferentes grupos e actores que incidiam no sistema político. Nenhum diz o que vai fazer, as políticas que realmente vai implementar. Unicamente é uma política de desenho animado. Uma política de opiniões politicamente correctas e de espectro discursivo unicamente estreito e pré-fixado.

E assim chegamos ao final televisivo que estão a ser estas eleições gerais a Cortes no Reino da Espanha. Vendidas como umas presidenciais, num regime parlamentar onde a circunscrição é a província e o sistema eleitoral proporcional. Longe da realidade jurídico-política na que se celebra a escolha dos e das representantes ao Congresso e ao Senado, a mercadotecnia do discurso político traslada o “achismo” à cidadania, que acha de muito e não quer perceber de nada. Será o único que há que saber para votar?

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