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Daniel Lago

Daniel Lago

Nado em Vigo, no 1979. Licenciado em Ciências Políticas pela USC (1998-2003) especialidade em estudos políticos e relações internacionais. Cursou Estudos Europeus na Universidade Moderna de Porto. Empresário do sector financeiro e da gestão de riscos e a protecção financeira. Secretario de programas e estudos políticos da Executiva Nacional de Compromisso por Galiza. Membro do Conselho Nacional e Secretario Local de CxG em Vigo.

A mentirocracia, a próxima paragem de autocarro

Publicada: 20/04/2017

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Tempo de lectura: 6 minutos e 17 segundos.

Alguém, no seu sano juízo, falava em que a democracia unicamente poderia sobreviver com certo grau de verdade. Porém, hoje vivemos, segundo falam os mais, na época da pós-verdade. 

Nesta nova época, a informação é múltipla, quase cada uma das pessoas nas redes sociais é um redator de noticias. Um redator que serve-se do seu “status” de anonimato para construir o seu relato da realidade, e nas mais das vezes, porém sem aplicar nada parecido ao método científico ao seu discurso.

Neste mundo tentamos amoldar a realidade aos nossos prejuízos e aos nossos instintos mais básicos, pegando na barriga e nas tripas o ponto de observação. Agora no âmbito da análise política é onde mais existem afirmações sem provas.

Todo está perto da subjetividade e das crenças, da construção ideológica do relato que descreve a realidade. Assim, deste modo, chegamos a uma explicação que não é mais do que uma enumeração de probabilidades e de opiniões e que não tem outro objetivo, no curto prazo, que ter que inclinar a tendência eleitoral da maioria.

Nestas, a dimensão mediática trespassa o plano da informação e geralmente fica na literatura da confrontação ideológica, que passa a ser eleitoral, afastando a reflexão e o pensamento, da observação dos factos da realidade.

E acontece por todo o mundo civilizado, nos EUA o Trump fala de um atentado terrorista na Suécia, que até aquele momento não tinha acontecido. No Reino da Espanha olhamos indemnizações por “despidos em diferido”. A guerra “híbrida” utiliza toda esta nova realidade da época da pós-verdade, para defrontar partes de guerra contraditórios e que fluem a uma altíssima velocidade pelas redes; a través de “chios” e de “agências de informação”. Sobre a situação política  de Venezuela, a guerra da Síria ou a realidade social da Coreia do Norte; a manipulação e a propaganda; infestam as redes sociais e os mídia: tanto a favor coma em contra. As revoltas de cores nos países árabes, a revolução laranja na Ucrânia,... todo é afastado da ótica dos factos e submetido à ordem do mito, do religioso e em definitiva, do dogma. A propaganda destruí a realidade múltipla, cria uma nova em versão única e submete a mesma ao slogan 

Os controles dos estados sobre a Internet; a proibição do Google, do Facebook, do Twitter,.. formam parte deste domínio da propaganda a través da censura e a desinformação.  

 Estamos ante uma guerra de propaganda, mas onde as suas origens são sempre duvidosas e a fim da mesma, no vetor mais agudo, é unicamente derrubar e subverter qualquer realidade. Passamos assim, entre a mentira mais severamente transmitida e a deturpação ideológica, a um plano onde a ocultação da realidade é prioritária para fazer-se com um bando da sociedade. Tanto no nível interno das sociedades estatais, tanto na escala internacional, as sociedades traduzimos realidades e factos, em discursos meramente ideológicos, 

Um dos fatores que leva à queda da democracia é a circulação incorreta da informação, coisa que estamos a viver com muita intensidade ultimamente. A informação falsa, as chamadas “fake news” tornam realidade de maneira irracional na ordem das coisas, afastando definitivamente à racionalidade e ao método científico da esfera de análise pública.

Na fim, rematamos votando também com as tripas, com a barriga, e assim ascendem formas políticas profundamente anti-democráticas no seu apelo; na sua discursiva; do cérebro mais réptil da nossa humanidade. 

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