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miércoles, febrero 8, 2023

Da cozinha da nova política ou as unidades cupulares

Seica há uma contenda a fio de espada no grupo, cada vez menos, da «En Marea». Poderia seguir falando, mas realmente, estamos chegando já a esse ponto em que a ninguém já lhe importa. Efetivamente, a sinceridade do eleitor leva a que o espetáculo interno destas confluências já não seja um reclamo, nem a favor, nem em contra, caminha mais bem para a mais dura das indiferenças. Claro, neste panorama sofisticado da política do tweet e das redes sociais, a velha política, entendida como essa liorta interna pelas parcelas de poder dentro dos partidos não interessa, não é mediático.

Eu que sou disso que alguns chamam com certo nojo de «velha política», dessa que procura o serviço ao público, do bem-estar da sociedade, da redistribuição das oportunidades e da riqueza, da responsabilidade na governança e da dignidade na ação, olho para o fim anunciado de algo que vai morrer de morte morrida e que vinha como modelo de algo que chamaram de «nova política» e não fico surpreendido.

E o eleitor atual das confluências e das chamadas «unidades populares»; mais bem sempre foram «unidades cupulares»; esse eleitor que é muito sofisticado, pode virarem de estratégia e passar a ser um eleitor barato, no sentido de que nas próximas eleições não vai a participar nem do debate, nem do deposito nas urnas do seu voto, não vai gastar mais as suas energias. Aquele eleitor acreditou na crítica fundamentada ao sistema de partidos e para a própria democracia. Aquele eleitor acreditou na possibilidade de exigência de transparência, de fiabilidade e de controlo da corrupção.

O tempo do eleitor ilusionado; nesse dobre significado do verbo como ilusão, fantasia ou falsa realidade; foi gastado, desculpas, mal-gastado. A historia leva para isso. Da euforia para com as confluências, desde o experimento de AGE, ate o cemitério político no que se está a converter isso de «En Marea». Isto tampouco é um drama, tampouco é que o modelo fora algo útil para melhorar as condições de vida dos seus eleitores ou da população em geral. Desde as Mareas municipalistas que chegaram em muitos concelhos com muita força até o grupo parlamentar na rua do Hórreo ou o que finalmente ficou sendo um subgrupo dentro de um grupo que ocupa seis assentos no Congresso dos deputados, todo este capital político, foi inútil. Inútil no sentido de melhorar mediante políticas as condições de vida dos cidadãos.

Neste sentido, que mais tem que andem a tortas dentro do que chamam «partido instrumental» se realmente o instrumento resultou ser inútil e plenamente ineficaz. O «esperpento» no sentido mais do «Luces de Bohemia» é a mesma natureza do experimento. Temos que perguntar que tipo de partidos queremos para o nosso país, que tipo de instrumento político necessitamos para ter algo de poder nos núcleos de decisão política, defendendo melhor o que é nosso, sem ter que ser menos que ninguém.

Haverá quem venha a defender o indefensável, sempre há quem não quer tirar as vendas dos olhos e unicamente olha a realidade a través do prisma da ideologia, sem atender a valores, contra isso nada temos a discutir. Outros olham a vida unicamente a través do prisma do seu egoísmo, nada temos que fazer contra isso tampouco.

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