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viernes, septiembre 30, 2022
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Levamos anos a ficar a olhar navios

Os dias 28 e 29 do passado mês de Junho tiveram lugar na boa vila de Pontevedra as primeiras jornadas de estudos internacionais organizadas pelo IGADI (Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional). Não posso mais que dar os meus parabéns desde estas linhas, primeiramente ao director do instituto, Xulio Rios, pelo inteligente e contingente trabalho que é aportar uma perspectiva galega na análise das relações internacionais, e seguidamente, por extensão, aos diversos colaboradores por achegar com uma olhada plural e alongada, aberta a diversos; e as mais das vezes divergentes; pontos de vista, um saber estar no mundo, sabendo estar na Galiza.

Umas Jornadas, nas que logo de ouvirem aos diferentes palestrantes que por lá foram, serviram para que ficáramos ante duas conclusões claras e fundamentais, sobre as quais poderia dar-se um primeiro passo para o caminhar cara a uma construção de uma diplomacia e de uma política exterior criada por, desde e para o nosso pais. Uma primeira conclusão, partilhada pelos mais, e sobre a qual parece existir um amplo consenso é que o modelo de políticas, ou da chamada acção exterior, dos actuais poderes públicos da nossa comunidade autónoma, tem que pôr-se a funcionar. Seguindose a isto, esta acção exterior, ou política exterior galega, têm um espelho onde olhar-se, e um modelo de para-diplomacia a seguir; esta é o actual modelo basco. O governo de Gasteiz transcende o seu marco competencial a uma acção exterior naqueles temas onde é competente. Colhe e leva da mão a empresas e instituições, para a internacionalização da sua economia e a defesa dos seus interesses em diversos foros internacionais, já não no seio de uma UE, considerada já como organização política e de mercados internos, senão para além da mesma.

Para reflectir este caso, justamente nesta semana passada, num acto cheio de simbolismo, era plantada uma descendente da árvore de Guernica no «Mall» de Washington DC, ao abeiro de uma expedição dirigida pelo governo basco e na qual, à sua vez, trasladavam a diversos grupos empresariais locais a posição do Pais Basco como referente em muitas das novas tecnologias e da industria da inovação. Transladavam uma imagem de pais, que reforçavam com a sua posição como um ponto nodal; como «Hub» ou pivô; dentro da UE. A política exterior basca, tem lugar num pais onde poder amossarse ao mundo e onde poder fazer inversões industriais directas. O governo do Pais Basco já entende a acção exterior na UE, como política doméstica e procura novos mecanismos para alongar ao resto do mundo a sua para-diplomacia. Uma para-diplomacia por debaixo das chancelarias estaduais, encarregadas ultimamente, de firmar a paz e fazer a guerra, ou já nem bem isso.

E isto, leva-nos já a uma segunda conclusão, repetida também em cada uma das sessões destas 1ª Jornadas de Estudos Internacionais organizadas pelo IGADI: a posição atlàntica da Galiza, como centro do oceano que é, ao tempo que é também, ponte que alarga a Europa cara os EUA e Canada e a toda América do Sul; tanto a da hispanofonia como à lusófona, representada no Brasil; e é que a través desta ultima comunidade, na que já estamos perto de integrarmos; a da lusofonia; chegamos para além da África e até ao Extremo Oriente. A Galiza, deveria de retomar uma posição no mundo, perdida desde a perspectiva mais mediterrànea que teve a política exterior do Reino da Espanha e pode para já iniciar uma acção exterior própria, que além de procurar o nexo, que indubitavelmente, proporcionam as comunidades galegas no exterior, e que foi eixo basculante de toda a acção de política exterior dos governos autonómicos até hoje, procure uma conexão com essa «galeguidade», mais na forma da procura da criação de um «lobby galego» de influencia planetária.

Uma política exterior que abandone a base de programas políticos de mera ajuda social e de rápido e imediato sucesso eleitoral. Existem ao tempo, discursos e fortaleças internas que podem dar uma grande fortaleça à nossa posta de largo no mundo. Mas se calhar, todo isto, depende, no fundo, unicamente e exclusivamente, de uma vontade política de construção de uma política exterior própria e autónoma. Por certo, se quiserem seguir a ficar a olhar navios, podem visitar a web www.marinetraffic.com

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