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Daniel Lago

Daniel Lago

Nado en Vigo, en 1979.Licenciado em CC. políticas pela USC (1998-2003) especialidade em estudos políticos e relações internacionais.Especialidade Estudos Europeus na Universidade Moderna de Porto.Empresario do sector financeiro e da gestão de riscos e a proteção financeira.Membro do CPN de Compromiso por Galicia 

Acontece ao reverso do espelho

Publicada: 29/07/2016

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Tempo de lectura: 13 minutos e 34 segundos.

Foi falar o outro dia, numa pequena presentação em relação com o meu oficio, dentro do mundo dos negócios, de que a realidade do mundo gira num entorno VUCA e a continuação passar entre outras coisas  um atentado jihadista terrível em Nice, um golpe de estado na Turquia, o despregue militar dos bombardeiros nucleares chineses como resposta à sentença do Tribunal da Haia sobre o conflito territorial com as Filipinas, outro atentado jihadista na Alemanha, outro na França, outro novamente na Alemanha e assim poderíamos tirar o dia tudo.

Certamente, olhamos ultimamente o contexto internacional e olhamos com certa incredulidade, como certos indicadores, estão a sinalizar-nos um caminho para um mundo potencialmente muito perigoso. Estamos num contexto mundial que muitos descrevem já baixo um acrónimo, como o mundo “VUCA” (volatility, uncertainty, complexity and ambiguity) e é sobre o mesmo que temos que estar atentos e procurar uma orientação e uma preparação das nossas políticas e das nossas economias que antecipem estes factores de alto risco; tanto no demográfico ou no médio ambiental; com a agenda das NU para 2030; como no geopolítico e militar, sobre um espaço de seguridade comum europeia.

Os factores de risco, observando unicamente o lado da economia, por exemplo, estão a reflectirem-se em indicadores pouco usados, tais como o “Baltic Dry Index”, que assinala uma forte baixada do trânsito marítimo no último ano e como consequência previsível, uma forte baixada do tráfego de mercantes e do comercio mundial e por tanto do crescimento económico mundial, anunciando uma extensão da crise financeira, finalmente, a uma crise de produção industrial.

Desde este lado da economia, um factor de analise; já muito mais clássico; para analisar o futuro do sistema internacional é o gasto militar mundial, o qual está numa escalada que parecia ter parado em 2009. Desde 2011 leva aumentando exponencialmente. Por exemplo, em 2015 um 1% no total sobre o ano anterior, ficando já perto dos 2€ bilhões segundo indica o SIPRI da Suécia. Um gasto militar que aumenta exponencialmente nos estados que já hoje são lugares de alto risco e tensão.

Deste dado económico é que olhamos o factor de risco da militarização de certas regiões no mundo. Como assinalamos, os conflitos são muitos e variados mas, com claridade, assinalam uma caminhada para uma escalada bélica e de ré-armamento preocupante.A tensão territorial, por exemplo, no Mar da China, onde as potencias da China, do Japão e da Austrália e os EUA jogam com muitos interesses. Além dos próprios interesses comerciais e de controlo das rotas marítimas; que representam perto do 40% do trânsito marítimo mundial; está no fundo uma disputa já no plano das capacidades militares. Isto sinalizar-nos-á um dos pólos de tensão fundamental nos próximos anos. Todos os estados da zona aumentam agora mesmo; alguns a sua presença militar; e alguns, claramente a um tempo, o seu gasto militar. 

A escalada militar, que podemos perceber como num risco alto, tampouco é que se esteja a gerar-se longe das fronteiras da UE. Neste mesmo mês passado, as tropas da NATO, fizeram manobras por a Polónia e a Roménia, facto, que juntamente ao despregue do sistema balístico “Aegis” inquietou gravemente à chancelaria da Rússia. Na mesma, os estados do espaço pós-soviético da Europa do Leste, estão no topo do aumento de gasto militar, com medias de uns aumentos do 90% na última década.

A China, que não dispõe das armas “brandas” da propaganda, que a UE ou os EUA têm na cena internacional, recorre a procurar influencias externas em governos nos que toparam com singulares colaboradores como no da Rússia e no do Irão. Desde o 2008 é que o rearmamento e o gasto em novas tecnologias militares entorna os mais dos gastos do Kremlin e de Tianamen, em aumentos que aproximam ao 8% anual em gasto militar. É isto em base ao apoio a uma estratégia económica de expansão mundial da sua influencia. Uma expansão económica, que já muitos dão em chamar neo-colonialismo chinês, que partilha uma expansão estratégia de marcado carácter militar e que inaugurou a primeira base militar chinesa além das fronteiras da China, num pequeno estado das beiras do mar que dá a entrada ao canal de Suez.Somamos, neste aumento do gasto militar, um novo factor de risco, já que até o de agora, os EUA, sempre emergem como sendo uma potencia económica que pode ser ultra-passada pela China em qualquer momento, porém, militarmente, se analisamos o seu potencial de intervenção no mundo e a sua actual hegemonia nuclear, qualquer outra das super-potencias mundiais ficava ao longe, quando menos até hoje.

O eixo geopolítico criado entre Pequim-Teerão-Moscova, vai em caminho de um forte rearmamento e de conquistar, inclusive, uma supremacia tecnológica militar sobre os arsenais dos EUA. Os russos andam a refazer a sua frota de submarinos, os chineses andam a refazer a sua frota naval toda ela; incluindo novos porta-aviões e novos submarinos nucleares; e o Irão não dá afirmado ante a sociedade internacional que não tenha abandonado o seu programa nuclear. 

Um “bom trabalho”, no nuclear, que tem um efeito sobre o “Exercito de Libertação Popular” da China, que já prescinde como estratégia de ser superior em número de soldados, agora a sua superioridade é que arma-se com tecnologias, entre elas, por suposto, um grande número de misseis de largo alcance de última geração e com carga nuclear, ou os aviões não tripulados “replica” dos que o Irão tem derrubado ao exercito dos EUA, ou os novos bombardeiros transoceânicos com base na tecnologia russa.

Estes novos pólos de tensão, do mar da China e da fronteira da UE com a Rússia, entre outros, sobre os quais virará muito do esforço dos diplomatas e das relações entre estados nos próximos anos, não evitam ao tempo que os velhos desapareçam. Na pior das hipóteses, inclusive, há piores perspectivas sobre as guerras subsarianas, os conflitos de Oriente Médio e a crescente falha de certidão em grande parte da América do Sul, na que também existe um forte aumento do gasto militar. Tensões crescentes, que um cambio na Whitehouse, no caso de ganhar o Donald Trump, não serei eu o que diga que rebaixarão num futuro. Inclusive, parece clara, uma conexão entre os interesses geopolíticos do Putin e a sua nova Rússia; mais grande e mais forte; e a vitoria interna do oligarca norte-americano que já é olhado, na mais cinematográfica visão da Guerra Fria, como um agente pro-russo na Casa-branca. 

Além do mais, hoje em dia, a expansão do radicalismo islamista e o seu reflexo nos actos de terrorismo em qualquer uma parte do mundo, está a gerar uma fonte mais de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade; nas mais das democracias ocidentais que não têm clara a estratégia de luta contra o jihadismo, tanto no exterior como no interior. Um terrorismo, o do ISIS, Hezbollah ou o das suas ramificações no sul do Saara, como a de Boko Haram, que revelam no fundo, o avanço  e o traslado dos princípios da teocrática revolução dos aiatolás no Irão a outras partes do mundo.

É preciso um paradigma novo na ceia das relações internacionais e a necessidade de novas políticas e novos actores. Os mais dos autores falam em uma “Nova Guerra Fria”; mas o mundo hoje em dia já não é bipolar, é multipolar, e o esquema de relações internacionais que governou os últimos 50 anos do século XX já não está em vigor. Se bem o eixo Russia-China-Irão, como potencias com aspirações de domínio mundial e que colaboram entre elas para chegar a este objectivo comum, sim que pode mostrar indicadores cara uma bipolarização futura do mundo, é claro que existirão pontos de conflito e divergência de interesses que afastarão aos actuais aliados numa carreira mundial por tirar aos EUA do papel de super-potencia mundial. 

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