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Daniel Lago

Daniel Lago

Nado en Vigo, en 1979.Licenciado em CC. políticas pela USC (1998-2003) especialidade em estudos políticos e relações internacionais.Especialidade Estudos Europeus na Universidade Moderna de Porto.Empresario do sector financeiro e da gestão de riscos e a proteção financeira.Membro do CPN de Compromiso por Galicia 

A casta, o alvarinho e os da Australia

Publicada: 01/06/2016

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Tempo de lectura: 12 minutos e 52 segundos.

Na quinta-feira passada, CxG organizou uma mesa de debate sobre o TTIP. O acto decorreu na galeria Sargadelos de Vigo. Sargadelos, sem lugar a qualquer tipo de dúvida, representa o fenómeno do “glocalismo” como poucas empresas do nosso pais. Esta “joint venture” entre os Diaz Pardo e os Seoane, entre outros, criou o chamado “Laboratório de formas”; de onde viriam as empresas “La Magdalena”, situada na Argentina, e o relançamento de Sargadelos, baixo o impulso de Cerâmicas do Castro. O projecto, que saia desde o mais profundo e telúrico das mentes dos nossos criativos, chegaria a cruzar oceanos e a ser valorado pela sua qualidade e desenho no mundo inteiro.

Desde este canto do Atlântico, transcendemos uma ideia global com o sucesso de Sargadelos. No sentido contrario, com um assunto global, como o é o TTIP, tentamos achegar uma perspectiva mais local do mesmo. Assim, e que fomos analisando os possíveis efeitos sobre dos nossos sectores produtivos e das inversões directas no estrangeiro como a do caso da empresa Vierasa. 

Aproveito para agradecer, desde estas linhas, a Francisco Xavier Lores; doutor e professor de Economia na USC e membro da “Associação galega para a liberdade e a democracia”, convidado ao acto;  a sua nobreza intelectual. Achegou-nos, uma visão sobre o TTIP, desde a mesa, que daria para horas de debate. Uma visão controvertida para muitos de nós, mas que sem dúvidas, animou em muito as intervenções.As polémicas, não tardaram em assaltar o debate. Entre as principais das varias das que se falou, as perto de 2 horas que estivemos a falar, gostaria de resgatar uma que deu para varias intervenções. A jornalista Ana Fuentes, do “Atlántico Diario”; também convidada ao acto; foi dirigindo incisivas perguntas, e deu numa sobre a que foi-se levantando um debate de grande transcendência, inclusive  poderíamos chegar a dizer que filosófica: o tema das Denominações de Origem e as Indicações Geográficas Protegidas existentes na UE. 

É este, realmente um tema que achega ao debate sobre o TTIP ao nosso pais, já que afecta, qualquer regulação sobre o tema, a uma parte importante do nosso tecido produtivo: vitivinícola, produtos lácteos, carnes, mexilhões, pimentos, patacas,... 

O tema virou para um produto de grande êxito de comercialização no exterior, o vinho do alvarinho, da DO “Rias Baixas” do que exportamos perto de 2.5 milhões de garrafas ao ano, só contando o mercado dos EUA. O alvarinho da DO galega, vende em mais de 60 estados no mundo, exporta o 32% da sua produção e factura sobre os 100 milhões € no ano, dando emprego estável a umas 7000 pessoas entre o Baixo Minho e o Salnés. 

O problema girou em que no vale de Napa, na Califórnia, também há plantadas cepas de alvarinho e andam a produzir também caldo do tipo alvarinho. A maiores, hoje, também zonas da Austrália e da China, andam a experimentar com as cepas de alvarinho.Então qual é o valor que as DO ou as IGP, têm no futuro mercado que pode abrir um pacto do tipo do TTIP entre a UE e os EUA? Virão a desaparecer e poderíamos mercar queixo de Arzua-Ulhoa feito em Ohio?

Certamente, as DO, desde a primeira galega que foi a do vinho do Ribeiro, em mediados do século XX, ajudaram em muito a fazer competitivos, a concentrar, a modernizar e a levar ao exterior muitos dos nossos produtos primários de qualidade. Foram, também, ajudando a achegar um maior valor aos produtores e a manter standards de alta qualidade no produto final. Porém, a dia de hoje, num mercado muito mais globalizado, parece difícil evitar que os chineses produzam vinho “alvarinho style”; imitando o nosso “expertise”. Para exemplo, do que aqui queremos trasladar, a África do Sul comercializa vinhos do tipo Porto, com as denominações tradicionais dos Vinhos do Porto: “Tawny”, “Ruby” e “Vintage”; para o mercado dos EUA desde 2010. Também há vinhos procedentes da Australia “Porto style”, que já alcançaram os 100 valores; o máximo de pontuação; em varias críticas internacionais. Uma adega australiana, a “Penfolds”, já tem no mercado garrafas do seu “Porto style Old Rare Tawny” que vende perto dos 2000€ unidade. 

Um caso, que poderíamos perceber como mais próximo, é o dos produtores da “Comissão de Vitivinicultura da Região de Vinho Verde”, da casta alvarinho. Perto de 2000 vitivinicultores da sub-região de Monção e Melgaço, que maioritariamente, manifestam em contra do alargamento até Porto e as beiras do Douro da zona de produção exclusiva do alvarinho, dentro das zonas dos vinhos verdes, abrindo a chamada, “guerra do alvarinho” em começos deste 2016. Uma “guerra” da que o mercado não percebe, ganhando um vinho da casta alvarinho, de perto de Braga, o “Grande Ouro alvarinho” em 2014 dentro do concurso “Alvarinho do mundo”. Um vinho criado bem longe da zona “tradicional” do cultivo alvarinho na outra beira do Minho.

Uma mesma “guerra” na que também estamos na Galiza. Esta-se a discutir se os vinhos elaborados da casta alvarinho criados nas beiras do Sil ou do vale do Berço, poderiam levar a etiquetagem como “Alvarinho” dentro das suas mesmas DO como “Ribeira Sacra” ou “Valdeorras” ou “Bierzo”.

O trabalho relevante e fundamental das DO, se quiser levar os seus produtos para os mercados no estrangeiro, está em marcar um standard de qualidade “Premium” e de referencia dos seus produtos, aplicando tecnologias e técnicas aos processos produtivos e ao processo de internacionalização das vendas com as correctas distribuições de comercialização. Os esforços, unicamente destinados a travar a competência, sem políticas de implementação e de adaptação de novas técnicas e tecnologias e de abertura de novos mercados, delimitam um futuro que de cada vez afastaria mais da realidade aos produtos baixo as DO e as IGP. Num futuro as DO e as IGP, têm que trabalhar para transformar-se nas “benchmarks” dos seus respectivos produtos, aportando um valor adicional baseado na imagem corporativa da própria zona de produção e submetendo a um forte controlo nos métodos de produção e na qualidade final aos produtos que levem a sua etiquetagem. Ao tempo têm que ir achegando métodos de cultivo orgânicos e de escolha genética nos processos, marcando diferenças numa agricultura do S. XXI que virá marcada pelo dicotomia na escolha dos consumidores, dos principais mercados, entre cultivo orgânico e cultivo industrial. Isto frente a outros produtores, de outras zonas, que não podem achegar estes valores de tradição, mas sim aportam um produto de proximidade nos mercados locais.

Justamente esta mesma semana, uma empresa galega familiar, sem produzir baixo o para-chuvas de nenhuma DO ou IGP tem chegado com o seu produto ao mercado da Coreia do Sul, com grande sucesso, baixo a etiqueta de produto “Premium” e através de uma distribuição  de loja “gourmet”. Todo dentro de um tratado entre a Coreia do Sul e a UE para o livre comercio que leva em vigor desde Julho de 2011. Voltamos ao principio, a Sargadelos. A cerâmica que criou a sua marca, estendeu pelo mundo as suas louças, e diferenciou com muita qualidade, muita mais vanguarda e com uma forte identidade própria, os seus produtos e a sua marca. Todo incluindo o desenho de vanguarda dentro de uma tradição secular e que ao tempo foi inovadora nos processos empresariais. O êxito das nossas empresas vira da correcta implementação dos avances tecnológicos, da colaboração institucional com os poderes públicos e do saber fazer, o “know-how” para ajustar-se aos mercados globais mantendo sinais próprios de identidade. Isto todo, por suposto, como sempre, com TTIP ou sem TTIP.

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